Investimento anjo: capital e conhecimento para startups decolarem

Recurso é um dos principais fatores de sucesso para o ecossistema de tecnologia e consolidação de negócios nascentes. Confira os relatos de empresas que conquistaram esse tipo de investimento

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Investidor anjo

Nós sabemos que o modelo de negócio de empresas com soluções inovadoras tende a ser arriscado. Por isso, as startups passam por diversos estágios nas fases de crescimento, do pré-seed à oferta pública (IPO).  Os iniciais costumam ser os mais desafiadores, com pouco ou nenhum faturamento e o desafio de validar a solução no mercado. Segundo a pesquisa Associação Brasileira de Startups (Abstartups), é nesta fase que nove entre 10 startups não conseguem seguir adiante. Também é neste cenário que a presença do investidor anjo, que é uma pessoa física, se faz essencial.

De acordo com a pesquisa “Financing High-Growth Firms: The Role of Angel Investors”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o investimento anjo é um dos principais fatores de sucesso para startups em 30 países diferentes, incluindo o Brasil. Isso acontece porque o contato com este tipo de investidor não se resume apenas ao capital: ele também auxilia no desenvolvimento da ideia, produto ou serviço e no modelo de negócios, já que tem mais conhecimento do ecossistema.

Apesar deste papel fundamental, de acordo com a Abstartups, em 2020, apenas 26,2% das startups brasileiras receberam algum investimento ou incentivo financeiro desde sua fundação. Destes, a maior porcentagem vem de investimento anjo, com 41,5%. A pesquisa também aponta que 43,3% do capital tem origem em investidores locais. Nesse cenário, o Sebrae desenvolve desde 2013 o Projeto Startup SC, que tem como  objetivo fomentar o ecossistema tecnológico de Santa Catarina.

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Segundo o “Global Startup Ecosystem Index Report” de 2021, o Brasil está na 24ª posição no ranking mundial, com base em três critérios: quantidade, qualidade e ecossistema de negócios.  Em território verde e amarelo, São Paulo desponta como uma das principais cidades, com nove dos 11 unicórnios do país. Em uma análise detalhada, o relatório afirma que para além da capital paulista, é fundamental que haja o fomento desses ecossistemas em outros locais do Brasil, para desenvolver e promover inovações de forma ampla.

No caso do investimento anjo, há diversas formas que o capital pode potencializar o sucesso e direcionar o desenvolvimento da startup para o melhor caminho. Empresas catarinenses, de diferentes segmentos e modelos de negócios, que já vivenciaram as dores de um negócio nascente, assim como do processos de atração e aplicação de investimentos relatam suas experiências:

- Smart money para crescimento estratégico

A GeekHunter, empresa especializada na contratação de profissionais de tecnologia, sendo atualmente um dos maiores marketplaces de recrutamento da América Latina, recebeu seu primeiro aporte ainda no primeiro ano de existência, em 2016. Celso Ferrari, fundador e COO, explica que a escolha dos investidores não levou em conta apenas o aporte financeiro, mas principalmente, a experiência deles para ajudar com conexões importantes para o negócio, chamado de smart money. "Foram investidores com perfis complementares e que de fato conseguiram nos ajudar a cortar caminhos para crescer mais rápido. Ter um investidor líder para orientar e acelerar o processo foi fundamental para ser uma captação justa e sem grande perda de foco do negócio que estávamos criando", explica.

- Novo modelo de negócio

Após um trabalho de branding em 2015, a Winker, que oferece soluções para o mercado imobiliário, recebeu seu primeiro investimento de três investidores anjo com o objetivo de pivotar um novo modelo de negócio, antes focado apenas em venda direta para condomínios. Até então, a Winker contava apenas com capital próprio e mensalidade dos condomínios, e constatou-se que uma das formas de escalar o serviço seria vender para administradoras. De acordo com Henrique Melhado, CEO da empresa, sem o conhecimento dos investidores anjo, a Winker não teria conseguido esse resultado e estruturado a operação para suportar o crescimento rápido nos anos seguintes. “Além do investimento, o apoio para o desenvolvimento das estratégias foi fundamental para o sucesso. Afinal, o investimento anjo não é volumoso, o risco é enorme e precisamos minimizar os erros. No nosso caso, deu muito certo.”

- Validação do Product Market Fit

Há cerca de oito anos, em 2013, a fintech Asaas recebeu seu primeiro investimento-anjo. O valor de R$500 mil foi utilizado prioritariamente para a folha de pagamento de profissionais da engenharia e para o marketing de performance, mas teve um papel de maior impacto para o negócio, que estava validando seu product market fit e precisou pivotar em uma nova direção. “O investimento foi determinante para nosso crescimento, pois nos permitiu focar totalmente em entender o problema do usuário e alterar o nosso produto sem precisar pensar em receita para pagar as contas do mês”, comenta Piero Contezini, CEO do Asaas. Hoje, a empresa já recebeu mais de R$45 milhões em sete rodadas de investimento e é considerada uma das 10 principais fintechs de meios de pagamento do país, segundo ranking de 2021 da Distrito.