Empreendedor: o atleta dos negócios

Já assistiu uma competição e se perguntou se conseguiria fazer o mesmo que os participantes? Nosso #snaqexpert Daniel Oelsner, sócio da Fisher VB, compara a vida dos empreendedores com atletas de um famoso programa de TV americano e a análise final vale uma reflexão. Confira:

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Durante a minha primeira jornada empreendedora sentia em muitos momentos a sensação que eu estava querendo derrubar um muro com a cabeça. E não eram poucas as vezes que até sentia uma dor na cabeça que deveria ser bem parecida. Era uma sequência infinita de desafios, muitos inesperados, que traziam aquela sensação de sempre estar num desafio hercúleo.

Mais no final da jornada conheci o programa de TV americano American Ninja Warrior. Aí minha imagem se aprimorou e pensei: vida de Empreendedor é igual a de um competidor. Me identifiquei imediatamente com os participantes do programa, no qual cada episódio é uma competição de corrida num circuito com obstáculos físicos quase impossíveis, que lembram aqueles circuitos de treinamento do exército, mas neste caso mais hollywoodiano. Os participantes geralmente tinham um perfil que misturavam rato de academia com campeão de triathlon (nesta parte tinha mais aspiração do que identificação) e as provas demandavam extrema agilidade, destreza, força, coordenação e velocidade, mas principalmente resiliência e força mental, pois os últimos desafios do circuito eram os priores (aqui que eu mais me identificava). Todos desejam o título de Ninja Warrior e o prêmio de 500 mil dólares em dinheiro. 

Já são 12 temporadas na TV e pela minha pesquisa mais de 16 mil pessoas já participaram do desafio. Ver um pessoal super em forma não conseguir subir paredes ou em cordas me diverte, mas o que me instiga é saber que até hoje apenas 2 ganharam o grande prêmio. Ou seja, a chance de ganhar os 500 mil dólares é de 0,0001% ou 1 em 1 milhão. Segundo estudo que fizemos na Fisher Venture Builder, o Brasil tem 13 unicórnios (acabou de subir com a VTex) dentre cerca de 13.000 startups identificadas (mais as que ficaram pelo caminho na jornada), ou seja a chance de virar unicórnio é de 0,1% ou 1 em mil.  Então eu estive sempre errado, a comparação da vida de Empreendedor com um aspirante a Ninja Warrior é indevida. Porque será que a chance de ganhar o prêmio é menor do que ser um unicórnio no Brasil, país dentre os mais difíceis de operar um negócio no mundo? 

Na verdade minha comparação era inadequada, pois no programa americano a participação é exclusivamente individual. Pior, se eu estava me comparando com estes caras, eu também estava errado na condução da minha startup! A jornada de construção de um negócio passa primeiramente pela formação de um time vencedor. Viver seus desafios deve ser uma vivência coletiva, formada por vários participantes (incluindo também users, clientes e parceiros), cada um com um papel crítico. 

Muitos me perguntam então, como formar um time fundador?

De fato este é um processo difícil, que combina acesso a profissionais e confiança no parceiro. Na Fisher Venture Builder, nos deparamos com os desafios de montar um time fundador diariamente. Além de conduzir projetos de Inovação Corporativa, nossa atividade central é criar startups utilizando o conceito de co-criação com empreendedores. Geralmente nos deparamos com dois perfis de empreendedores, são:

1) o empresário com larga experiência num setor específico

2) o um empreendedor de primeira jornada.

Quando começamos a interagir, ambos já reconheceram que precisam de conhecimentos e competências complementares para tirar suas ideias do papel ou fazerem ela decolar. 

Qualquer que seja o perfil, ambos têm uma visão clara de oportunidade de negócio (conhece profundamente a dor do segmento ou visualiza um mercado ainda não explorado) e reconhecem que não são capazes de capturá-la sozinhos. As angústias que ouvimos e buscamos resolver em conjunto são: sou um empresário de sucesso, mas é difícil entender a lógica de criação, funding e captação de uma startup; sou empreendedor de sucesso, meu business atual me toma todo o tempo, mas vejo uma ótima oportunidade de um negócio digital adjacente à minha operação e não consigo captura-la; sou empreendedor de 1ª jornada, tenho ótimas respostas de potenciais clientes sobre minha ideia de negócio, mas tenho algumas dificuldades para criar meu time inicial, de criar produtos e sua oferta a mercado, não conheço a jornada de captação e a gestão do captable é um mistério.

Seguindo a lógica que startup é um jogo coletivo, acreditamos que o modelo de Venture Builder endereça todas as questões acima. Além disso, também proporciona compartilhamento de conhecimento, maior colaboração entre startups, suporte estratégico e às atividades não core. No fundo, empreender pode ser comparado com uma competição, mas as medalhas e os troféus são trocadas pelo sucesso dos negócios dia após dia.