Ética, um conceito necessário para o empreendedorismo no Brasil

Precisamos falar sobre ética no mundo dos negócios. Daniel Libanori #snaqexpert e co-fundador da Clicksign fala mais sobre o assunto no ambiente de digital, confira essa análise exclusiva!

SHARE

Empreender é o ato mais eficiente para aquecer a economia de um país. Construir um negócio do zero e levantá-lo, atendendo às necessidades de uma população e empregando pessoas, é uma verdadeira jornada rumo ao topo de uma montanha. Poucos conseguem cumpri-la. Dificuldades vão surgir e a tentação para ir pelo caminho mais fácil é enorme. O problema é que nem sempre a via mais fácil é a mais correta.

É aí que entra a ética. Essa palavrinha, tão importante para as relações em sociedade, já foi matéria de estudo de muitos filósofos. Mas a ideia aqui não é discutir a ética ao longo da história. Vamos nos restringir à ética no empreendedorismo.

 

Mas primeiro é preciso saber o que é ética?

Para compreender o que é ética é importante entender o que é moral. Podemos definir moral como sendo um conjunto de costumes relativos a determinado grupo social. A própria palavra tem sua origem no latim “morales” e significa costumes. Esses hábitos mudam de povo para povo e de tempos em tempos. O que é moralmente aceito hoje pode não continuar a ser amanhã.

A ética não é uma lei e nem moralidade. Mas um exercício consciente da moral. Sabemos o que é ético pelo simples fato de refletir sobre a situação a qual nos encontramos. Ser ético é fazer aquilo que é certo. 

 

Ética para os empreendedores

Logo, é perfeitamente possível que haja ética no empreendedorismo. Esse exercício de pensar sobre o que é válido, ou não, deve ser feito por todo empreendedor. Todos querem crescer no mercado, o problema é como fazê-lo com ética. Já que no caminho do empresário há atalhos muito mais fáceis, porém totalmente errados.

Aí, entram tentativas de suborno por fiscais, condições de trabalho desumanas, produtos de baixa qualidade, propagandas enganosas, concorrência desleal, enfim… há uma série de desvios éticos que podem parecer mais atrativos a quem não quer ter um trabalho sério, legal e moral.

Entretanto, esses desvios causam grandes danos à nação. Uma estimativa do Banco Mundial*, aponta que o custo da corrupção equivale a cerca de 2,6 trilhões de dólares por ano. Isso corresponde a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de todo o planeta.

A ética deve ser pensada no momento mais inicial de seu trabalho, quando a ideia ainda está sendo germinada. Pois é no planejamento do negócio que deve constar todos os riscos e ameaças que podem tirá-lo de um caminho correto.

 

Ética no ambiente digital

Quem é da área de tecnologia, como eu, sabe o quanto é frustrante ter o seu código copiado. Pois se trata de um trabalho que demora semanas, meses e até anos. E então, em um estalo, o concorrente toma de você sua ideia, suas horas sem dormir e seu suor.

 Esse pode ser o caminho mais fácil. Mas quem disse que é o melhor caminho? Minha opinião é de que a ética garante que o sono à noite, quando vier, venha com leveza. É muito mais fácil deitar a cabeça no travesseiro. Pois em sua consciência você fez o que é correto.

Engana-se, entretanto, quem imagina que a internet é uma terra de ninguém. Apesar de parecer um ambiente onde tudo é permitido, há regras e limites éticos para se trabalhar com soluções digitais.

 Um desses limites está em fase de implementação no Brasil. Trata-se da Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD. É comum que empresas de tecnologia armazenem muitas informações sobre seus clientes ou pessoas que tiveram contato com suas plataformas digitais.

A ética entra, então, com o que fazer com esses dados. Para isso, o profissional de TI é essencial. Pois é ele quem vai lidar diretamente com as informações que a empresa guarda de seu público.

Apesar de trabalhar diariamente com os dados das pessoas, o profissional de TI, seja qual for sua hierarquia, do estagiário ao diretor, não tem permissão de usar essas informações para benefício próprio. Os dados não são da empresa, muito menos dele. Existe um limite ético. Por isso, ele deve garantir a segurança contra possíveis vazamentos. 

A Lei Anticorrupção

No Brasil, há um trabalho sendo feito por parte da sociedade que propõe uma luta acirrada contra a corrupção. O decreto n° 8.420, de 2015, por exemplo, regulamenta a Lei Anticorrupção e estabelece alguns parâmetros de integridade para as micro e pequenas empresas. São eles:

1. Comprometimento da direção da empresa;

2. Adoção e implementação de padrões de conduta, código de ética, políticas e procedimentos;

3.Treinamento e divulgação do programa de integridade;

4. Registros contábeis confiáveis;

5. Controles internos que garantam a confiança em relatórios financeiros;

6. Procedimentos de prevenção de fraudes e irregularidades em licitações;

8. Medidas disciplinares;

9. Procedimentos para pronta interrupção de irregularidades;

10. Transparência na doação a candidatos e partidos políticos.

 

Está certo, estamos apenas iniciando a construção da integridade nos pequenos negócios. Mas será que o empreendedor está sozinho nessa luta. A resposta é não. O Sebrae, por exemplo, lançou uma cartilha em 2015 que dá algumas dicas para se criar uma empresa ética. Vamos a elas:

Levantar uma empresa com ética e integridade

Quando surgiu a ideia de criar uma plataforma de assinatura eletrônica no Brasil, eu e meus sócios, tínhamos um desafio: empreender dentro da lei e seguir os mais restritos valores éticos e morais. Nossa base para a inovação foi o código civil, que nos permitiu criar uma forma de assinatura que não ficasse restrita à caneta em papel.

Fomos pioneiros com essa solução em nosso país. E depois, quando começaram a surgir os concorrentes, não olhei para eles como nossos inimigos. Afinal são players necessários ao mercado. São eles que nos fazem crescer e possibilitam que cada vez mais pessoas conheçam a assinatura eletrônica.

O empreendedorismo ético, pelo qual eu me guio, me impede de copiar aquilo que é feito por eles. Jamais assumi a premissa de copiar para melhorar. Pelo contrário. Observo o que fazem, para fazer diferente. Inovar.

Seguimos a máxima de Aristóteles, o filósofo grego:

 

Então de onde vêm as ideias para novas funcionalidades?

Em uma empresa de tecnologia é importante estar sempre atento às novidades que surgem nos grandes centros de inovação, como o Vale do Silício, no ocidente, ou as capitais chinesas de tecnologia, como Shenzhen. São desses lugares que surgem as inspirações para criar as novas features de nossas soluções. Não à toa, hoje temos produtos de alta tecnologia disponíveis para nossos clientes.

Id do documento, Log de assinatura, hashing e muitas outras tecnologias que usamos são inovações de nossas soluções. As trouxemos para simplificar processos dentro de empresas. Afinal em um país tão difícil de empreender como o Brasil, incentivar o uso de assinatura eletrônica é desburocratizar a sociedade.

 

A LGPD e o segredo para empreender com ética

Existe um segredo para empreender com ética. Trata-se de enxergar o problema como um diferencial. Daí buscar a solução para ele. Está sendo assim no caso da LGPD. Muitas empresas ainda estão quebrando a cabeça para se adaptar à nova lei.

Como proteger os dados de usuários? Muitos se perguntam. Sendo que o questionamento correto deveria ser: como trabalhar as informações que recebemos para garantir aos nossos usuários a melhor experiência do mercado?

 É isso o que procuro pensar.

 É esse o grande talento do empreendedor. Transformar, com ética, problemas em diferenciais.

 

*Dados obtidos da Cartilha Integridade para Pequenos Negócios, do Sebrae