Quais fatores devem ser levados em consideração na hora de um M&A?

Em meio ao processo de Unbundling e Rebundling do Setor Bancário vemos crescentes notícias de compra e venda de empresas e startups. Para falar sobre o assunto entrevistamos Arnaldo Gomes da Rocha, Managing Partner na DealMaker, confira a a entrevista completa!

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Até 2010, vimos um mercado bancário de fusões e aquisições aquecido e cada vez mais concentrado. Mas, alguns anos depois, começamos a perceber o movimento de desagregação com o surgimento de novos players e incentivos regulatórios de fomento à competição. Especificamente, no mercado financeiro impulsionado pela evolução do Bank as a Service, vimos empresas de outros setores lançarem novos produtos financeiros para suas bases de clientes – estratégia apelidada de “fintechização” – com destaque para empresas de varejo.

Para falar sobre o assunto conversamos com Arnaldo Gomes da Rocha, Managing Partner na DealMaker. Confira a entrevista completa e veja outros dados sobre o tema no nosso report sobre Unbundling e Rebundling do Setor Bancário feito pela Fisher VB em parceria com Alfa Collab e DealMaker.

Snaq: Quais fatores uma empresa ou startup devem levar em conta na hora de optar entre comprar uma empresa ou desenvolver uma solução semelhante internamente?

Arnaldo Rocha: A decisão “make or buy” é tão complexa quanto se queira e o processo de decisão em si pode se tornar uma fonte de vantagens ou de perda de tempo e recursos. A favor da decisão “make” deve pesar o desenvolvimento de uma solução que seja muito alinhada com o propósito central da companhia, com sinergias muito evidentes de equipe, competências e tecnologia. Contra, sempre pesa a complexidade adicional junto ao dispêndio de atenção, recursos financeiros e controles. A decisão “buy” é potencialmente poderosa, mas só faz sentido se com ela a empresa passe a adquirir um motor de solução que precise de pouca ou nenhuma integração, com um time de gestão que possa se comprometer no médio a longo prazo e que adicione capacidades relevantes na jornada da companhia. Contudo, ao usar a ferramenta de M&A, é importante considerar que o processo em si consome tempo e recursos, e pode também comprometer o alvo a ser adquirido: por exemplo, negociações muito econômicas e duras tendem a deteriorar relacionamentos e levar mais tempo, o que joga contra a lógica de simplicidade e velocidade do startup. Por isso, ter clareza dos objetivos mais relevantes e conduzir o processo em função deles é tão relevante.

Tem se tornado cada vez mais comum empresas de tecnologia levantarem grandes rodadas, privadas (VC e PE) ou públicas (IPOs e Followons), e adotarem estratégias de M&A para crescer e desenvolver novos produtos. Quais as dificuldades de se adotar esse tipo de estratégia? Ou é só sair "comprando crescimento" que dá certo?

A competição no ambiente de startups hoje também é uma competição por volume de recursos captados. Essa dimensão sinaliza para o mercado uma maior capacidade de execução e maior capacidade de errar. Adotar esse tipo de estratégia requer o mesmo rigor de alocação de recursos que a empresa teve enquanto trilhou a trajetória com mínimo de recursos possíveis. A diferença é que com mais dinheiro a empresa pode pular mais etapas, ser mais agressiva em negociações e pagar um pouco mais caro para comprar tempo e ativos corretos. Muitas vezes os investidores também querem ver na equipe da companhia um time capaz de executar e integrar uma aquisição, e costumam se envolver ativamente no processo. A prova de que M&A e muitos recursos não funcionam por si só é olhar a velocidade de inovação muito menor das incumbentes.

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Porque vimos um crescimento tão expressivo no número de M&As no ecossistema de startups nos últimos anos?

Nos últimos anos vimos um número grande de M&As (compra e venda de posições em empresas) e rodadas de investimentos no ecossistema de startups. Isso deve-se principalmente à evolução dos ciclos das startups e ao grande volume de recursos em Seed e Series A: é da natureza do mercado que muitas dessas companhias terão dificuldades de executar um Series B, C e demais, apesar de muitas vezes possuírem boas equipes, tecnologia e base de clientes. De um lado, um cenário de abundância de recursos financeiros, com empresas capitalizadas, permite que o M&A surja como uma forma de acelerar o processo de crescimento e inovação, e de outro, startups com bons ativos podem enxergar em players estratégicos uma forma inteligente de acelerar a entrega de valor para investidores, fundadores, sociedade, e desse modo continuar entregando seu propósito em outra configuração. Adicionalmente, vemos algumas transações entre incumbentes e startups menos unilaterais e que de fato buscam criar algo novo e até mais alinhado com o ethos empreendedor do que o large corporate.

Quais as principais diferenças entre um M&A de uma startup, empresa que geralmente entrega crescimento acelerado mas não gera caixa, e de uma empresa tradicional, com geração de caixa com crescimento menor?

Essa questão depende muito do perfil do comprador, mas a principal diferença é dada pelas características dessas duas companhias. Uma empresa que cresce muito pode ser uma grande promessa quando tem três principais fatores: uma taxa de crescimento relevante, ou seja, significativamente mais alta que a média das empresas estabelecidas no mercado, uma oportunidade de crescimento/tendência de mercado e o desenvolvimento do motor de tecnologia escalável. Já uma empresa com crescimento menor porém com caixa financeiro positivo é algo sustentável e teoricamente se assume que o valor que ela entrega não é um grande valor de crescimento futuro mas é um valor mais próximo da geração de caixa que ela vai dar no futuro.

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