IFood: renda para restaurantes, bancarização para entregadores

Entenda as dificuldades e planos da startup queridinha de entrega dos brasileiros a partir da entrevista exclusiva com o CFO da companhia.

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Linha do Tempo iFood

Você provavelmente, em algum momento do último ano, utilizou um serviço de entrega de comida, muitos ainda dirão que perderam as contas de quantas vezes optaram pelo delivery a cozinhar em casa. Dados do iFood mostram que 2020 foi um ano de intenso de crescimento, mas se engana quem acha que a empresa se surpreendeu com os resultados.

Conversamos com Diego Barreto, CFO & VP de estratégia do iFood, para analisar as principais necessidades que a startup teve que suprir frente a pandemia, assim como o processo de fintechazação da companhia e a ajuda na bancarização dos entregadores. Se o crescimento do iFood é de 100% ao ano desde 2013 e sua penetração já é de 100% nas cidades acima de 50 mil habitantes, o que esperar da empresa para o futuro?

Confira a entrevista na íntegra:

Snaq: Apesar de, claro, a pandemia não ser algo bom, 2020 foi um ano de crescimento expressivo para o iFood, vocês tiveram que fazer mudanças em termos de negócios para dar conta?

Diego Barreto: O ano de 2020 foi um ano de crescimento muito forte, mas ele não é diferente dos anos anteriores. O ifood é uma empresa que tem o modelo de negócios digital com forte aceleração de penetração, então para nós, o crescimento de 100% do ano passado é em linha com o dos outros anos. Nós crescemos 100% ao ano a pelo menos 7 anos seguidos, isso porque o brasileiro já vinha nesse processo de penetração no segmento de food delivery.

Ainda sim, nós sem dúvidas, tivemos que nos adaptar, em especial, porque muita coisa mudou na rotina das pessoas, tanto para os restaurantes, como para os entregadores e consumidores. Entretanto, se tem um lado bom nesse processo é que por sermos uma empresa fortemente calcada em tecnologia, nossa adaptação é mais fácil, já que dominamos a ferramenta e fazemos alterações com velocidade, diferente de uma empresa física que não domina a tecnologia e passa a depender de um terceiro.

S: Quais foram as principais necessidades dos entregadores e restaurantes que vocês notaram durante esse período?

No caso de restaurantes e entregadores existia uma necessidade de informação para saber se comportar. No começo da pandemia não era claro como se precisava fazer para estar seguro e por conta disso tivemos que trabalhar com algo que não era muito comum, a comunicação quanto a questões de saúde.

No ponto de vista mais individual, no caso dos restaurantes, houve mudança muito forte na forma como ele operava porque o comportamento do consumidor mudou. Por exemplo, as pessoas consumiam muito pouco do food delivery de segunda a sexta na hora do almoço comparado com outros turnos. As pessoas estando dentro de casa passaram a consumir mais, então restaurantes que não abriam na hora do almoço com o delivery passou a abrir.

No caso dos entregadores, a grande questão que nos deparamos foi se permitiríamos que houvesse mais entregadores para contribuir com a questão do desemprego ou se não permitiríamos a entrada de mais para aumentar a renda dos que aqui já estavam.

S: Diante desse dilema por qual caminho vocês decidiram seguir?

DB: Optamos pela renda. Lá em março de 2020 nós fazíamos 30 milhões de entregas, em março desse ano nós fizemos 60 milhões, sendo assim dobramos. Os entregadores eram cerca de 150 mil lá em março do ano passado, agora eles são 160 mil, ou seja menos de 10% de crescimento. Sendo assim, a renda desses entregadores subiu quase 50% após optarmos por esse caminho.

| App de delivery e também fintech?

Cartões iFood

S:Podemos considerar o iFood parcialmente como uma fintech?

DB: Sim, sem dúvida alguma. Seja integrando outras, seja desenvolvendo aqui dentro determinados atributos ou seja pelo tipo de serviço que ele tem levado para os restaurantes, sim, o iFood já pode ser considerado uma fintech.

S: Depois de lançar vários produtos financeiros, vocês pretendem separar as marcas, nos moldes do que o mercado livre fez com o mercado pago, ou a ideia é que cada vez mais se tornem uma super plataforma integrada?

DB: Pretendemos ter nomes diferentes, como por exemplo, nosso produto de banking que levamos aos restaurantes demos o nome de "banco dos restaurantes". Então nós queremos ter essas divisões muito claras, mas consideradas uma plataforma única. Na prática o nome será meramente para organizar como as pessoas se posicionam perante a plataforma, mas no final é uma lógica única.

S: Quais são os próximos produtos que vocês pretendem oferecer voltado aos restaurantes?

DB: Começaremos a oferecer logo mais o Pix para todos os restaurantes. Além disso, iremos oferecer o potencial de fazer investimentos a partir do saldo em conta e agora estamos expandindo fortemente a distribuição de crédito na plataforma de banking.

S: Pensam também em entrar mais fundo na vida financeira dos entregadores?

DB: Sim, nós iremos entrar, no ponto de vista financeiro, para poder ajudar no processo de bancarização e redução de custos de transação financeira dos entregadores.

S: Para ser, de fato, essa ferramenta de bancarização, acredito que houve um estudo sobre esses profissionais, qual é esse perfil dos entregadores?

DB: Sim, atualmente eles são eminentes homens, na casa dos 25 a 40 anos. Majoritariamente pais de família com educação básica. Aqueles que se dedicam de 5 ou 6 horas por dia, 5 ou 6 dias por semana tem um rendimento na casa de 2 salários mínimos. Quando falamos sobre alocação de dinheiro, eles se concentram nos grandes bancos, mas claramente você consegue ver o processo de migração para os bancos digitais.

| O que esperar do iFood nos próximos anos?

O que esperar do iFood nos proximos anos?

S: Hoje, vemos um movimento muito forte de M&A por parte de grandes empresas e grandes startups, como por exemplo: Magalu, XP, Loft e Locaweb. O iFood pensa em seguir por esse caminho ou vocês preferem uma via de construção interna e crescimento orgânico?

A gente tem uma lógica muito mais de crescimento orgânico. Na verdade a gente não cresce via M&A, a gente eventualmente adiciona atributos que procuramos, como por exemplo: talentos. Mas o crescimento em si é 99,999% orgânico.

S: O iFood tem planos para um IPO nos próximos anos?

Não, não temos isso na mesa. Não temos esse interesse, nem necessidade disso agora.

S: Então, quais são os planos do iFood para curto, médio e longo prazo?

No curto prazo é consolidar a posição de supermercado. A médio prazo é finalizar o processo de montagem de um ecossistema em torno dos restaurantes, supermercados, entregadores e consumidores e a longo prazo ser uma ferramenta de redução de custo de alimento de uma forma bem expressiva para o brasileiro.

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