Quais serão os principais impactos do Open Banking?

Entrevistamos Marcelo Martins, Fundador da Pay Ventures e Diretor da ABFintechs, para falar sobre como o open banking pode mudar o setor financeiro brasileiro. Entenda sobre o tema na nossa matéria especial

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Marcelo Martins - Fundador da Pay Ventures e Diretor da ABFintechs

No dia 24 de maio de 2021, o Banco Central anunciou que o modelo atual do Open Banking será substituído pelo Open Finance, uma expansão do modelo original que pretende contemplar o sistema financeiro como um todo. Em seus estudos, o Bacen percebeu que havia a possibilidade de uma atuação mais abrangente, permitindo que além dos bancos e fintechs, também participassem do sistema aberto outras empresas, como companhias de seguros, fundos de previdência, plataformas de investimento, companhias de câmbio, entre outras.

O conceito, no entanto, permanece o mesmo: a premissa de que os dados são do cliente e não da instituição que os detêm. Dessa forma, o cliente poderá escolher compartilhar esses dados para outra instituição em busca de melhores ofertas em produtos e serviços. No modelo anterior, caso optasse por mudar de instituição, o cliente deveria começar um novo relacionamento do zero. Segundo estimativas da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs), cerca de 700 novas empresas devem nascer com esse novo modelo.

Para falar sobre o assunto conversamos com Marcelo Martins, Fundador da Pay Ventures e Diretor da ABFintechs. Confira a entrevista completa e veja outros dados sobre o tema no nosso report sobre Unbundling e Rebundling do Setor Bancário feito pela Fisher VB em parceria com Alfa Collab e DealMaker.

Snaq: Quais serão os principais impactos do Open Banking, tanto para bancos e fintechs quanto para os clientes? Quando esses impactos serão percebidos?

Marcelo Martins: Os principais impactos do Open Banking será aumento da concorrência, diminuição de taxas, aumento da transparência das informações e a criação de novas oportunidades de negócio. O impacto desse movimento será percebido rapidamente, mas será mais lento que os impactos do Pix, uma vez que o Pix é mais um tipo de meio de pagamento, enquanto o Open Banking é uma mudança de paradigma no sistema financeiro e os usuários finais terão que entender essa nova possibilidade e como usá-la.

Na década de 2010, vimos um forte movimento de unbundling dos serviços financeiros e agora começamos a ver o movimento de rebundling, seja via aquisições ou lançamento de novos produtos. Como a entrada em vigor do Open Banking pode impactar essa tendência de rebundling?

Sim, o Open Banking irá potencializar a tendência de rebundling, uma vez que, facilita a incorporação de novos produtos a Fintech/IF pelas APIs do OB, assim, não necessitando criar dentro de casa o produto ou ter que realizar acordos bilaterais.

Open Banking vai obrigar instituições financeiras a compartilharem os dados de seus clientes - caso autorizados pelos mesmos. Nesse cenário, empresas não financeiras (varejo e tecnologia) terão vantagem por possuírem dados exclusivos e que não precisam ser compartilhados?

Vale a pena lembrar que para consumir os dados via Open Banking a empresa deve ser uma instituição autorizada pelo Banco Central e se a instituição é receptora (consome dados) é obrigado a possibilitar o compartilhamento dos mesmos dados (transmissora), assim, na minha visão empresas não financeiras não terão vantagem.

Nesse cenário, onde empresas antes de setores diferentes começam a virar cada vez mais concorrentes, vai ter espaço pra todo mundo?

Vai ter espaço para soluções com ótima experiência do usuário, personalizadas para aquele público específico e que ofereçam um custo competitivo.

Hoje, no setor financeiro, a tecnologia é um diferencial? Ou com as soluções de BaaS a tecnologia virou "commodity"?

Tecnologia é um diferencial, mas com o BaaS foi facilitado a entrada de novos Players. Mas quando imaginamos a solução escalando ou necessitando personalização o modelo BaaS é travado. Desta maneira, o BaaS tornou commodity iniciar uma solução financeira, mas é só o primeiro passo para ter uma fintech de sucesso. Você acredita que bancos e fintechs tendem a se tornar cada vez mais parceiros ou concorrentes? Parceiros, uma vez que o ecossistema está em uma tendência de aumento da interoperabilidade das soluções.