#snaqentrevista: Fernando Cardozo, CEO da Guide

Confira esse bate-papo exclusivo sobre a evolução do mercado financeiro e toda a inovação proposta no setor de investimentos a partir do aprimoramento das tecnologias. Veja também sua opinião sobre este mercado se manter tão aquecido e dinâmico mesmo em um período de crise.

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SNAQ:  Vemos o mercado financeiro evoluindo de maneira acelerada, em parte por sua evolução regulatória que vem permitindo maior inovação na indústria. Com essa aceleração surgem os novos entrantes, com propostas diferentes e buscando atrair todos os tipos de público. Qual o modelo da Guide e como ela se diferencia no mercado? 


Fernando Cardozo: Nos últimos anos realmente surgiram diversas corretoras, principalmente em um modelo digital. A nossa diferença, é que buscamos sempre investir na integração do on-line com o off-line, ou seja, além de termos a estrutura digital, com app e plataformas que permitem o investidor mais autônomo seguir sozinho, também levamos assessoria para todos os níveis de investidores, independentemente do valor investido. Hoje acreditamos que o nosso principal papel, pensando inclusive no cenário cultural do país, é guiar os nossos clientes para que o dinheiro não seja um limitador na vida deles.  

Então mesmo aqueles que vão investir R$100,00 por mês podem falar com um assessor e tirar suas dúvidas, para investir com segurança e performance.  Por outro lado temos um modelo bastante exclusivo para os clientes que precisam também de um acompanhamento mais próximo, como clientes Wealth. Para garantir foco em tudo isso, criamos o Guidelab, um centro de inovação e excelência em que nossas squads atuam continuamente em projetos para o desenvolvimento da Guide.

Além desses modelos mais voltados ao atendimento, hoje somos uma das únicas corretoras não ligadas banco, o que nos garante total isenção nas nossas atividades e fortalece nossa frente de curadoria de produtos. Por último, sempre investimos muito no nosso pilar de conteúdos entendendo a importância de ajudar os investidores a tomarem as melhores decisões. Temos um portal e app, O Guia Financeiro, com conteúdos de parceiros e dos nossos próprios especialistas. Nossas principais carteiras recomendadas estão divulgadas lá, o que é bastante rico para os investidores, já que de fato temos carteiras com alta performance e nas melhores posições do mercado. Este ano, por exemplo, estamos nos destacando no ranking da Carteira Valor do Valor Econômico.

 

S: Você comentou sobre o centro de Inovação e Excelência da Guide. Como você acredita que a evolução tecnológica tem impactado esse mercado?

FC: A evolução tecnológica vem desde o advento da internet, que foi evoluindo a usabilidade, facilidade, plataformas e isso não apenas do mercado financeiro, mas de todas as indústrias. Hoje e cada vez mais vemos os investidores, e consumidores no geral, muito mais propensos a usarem as tecnologias no dia a dia para comprar carros, reservar hotéis, se comunicar e muito mais. Tudo tem que ser muito rápido e no segmento financeiro não é diferente, muito pelo contrário. O investidor tem muito mais poder agora. Tem acesso à informação, consegue diferenciar os produtos, ver os preços das empresas e é, consequentemente, mais preparado para a tomada de decisão. Antigamente ele só tinha conhecimento do que o gerente do banco falava pra ele e quando ele ia numa agência. Então isso tudo fez com que os investidores conseguissem ter acesso a produtos de mais qualidade, preços mais acessíveis, informações rápidas, experiência de compra facilitada e tudo isso para ele tomar as melhores decisões para o seu patrimônio.­­­

S: Quais são as principais tendências desse segmento? Como você enxerga esse mercado em 2025?  

FC: Eu vejo as tendências em 4 frentes: macroeconômica, regulatória, de serviços e produtos.

- Macroeconômica: a menor taxa de juros da história durante a pandemia é muito benéfica para o mercado de capitais e para maior sofisticação da indústria de investimentos. Sem dúvida é uma tendência que veio para ficar.

- Regulatória: Com um grande esforço para aprimorar a nossa regulamentação, os órgãos estão criando condições para as corretoras de investimentos se tornarem muito mais competitivas e inovadoras.   Consequentemente os clientes tem mais opções e podem fugir dos tradicionais grandes bancos. Com certeza é um grande benefício para os investidores.

- Serviços: Antes os clientes viam o valor da corretora pela capacidade de executar uma ordem e pagavam por isso (e não era pouco). Hoje, com taxa de corretagem baixa, a percepção é pela prestação de serviço que recebe: se é bem assessorado, se tem acesso a relatórios de qualidade, se tem ajuda na tomada de decisão. Ou seja, a expectativa dos investidores é que possam cada vez mais optar por pagar por serviços e não transações. Este é o valor agregado da corretora pro cliente hoje, o que ele espera. Na Guide, por exemplo, temos alguns modelos onde o foco é a cobrança pelo serviço. Temos a carteira administrada e aconselhada em que o  cliente paga um percentual sobre o patrimônio líquido da carteira e recebe de volta as taxas. Temos também uma conta bastante simplificada, chamada Conta Guia, que e similar a uma poupança, com investimento imediato mas que é possível ter maior rentabilidade, pois é atrelada a fundos  geridos pelos nossos especialistas  e as comissões geradas são devolvidas em forma de rentabilidade. Esse é um exemplo de serviço de valor.

- Produtos: vemos muitas Assets surgindo no mercado, o que pode trazer ainda mais produtos alternativos e sofisticados.

Acredito que surgirão cada vez mais investimentos em inovação, assim como investimentos sustentáveis, como estratégias ESG. Também veremos uma tendência dos investidores diversificarem seus investimentos para além do Brasil, como a própria iniciativa da B3 liberando os investimentos em BDRs. Nós, por exemplo, pretendemos usar nossa conexão Global, uma vez que fazemos parte do grupo Fosun, para dar acesso à alternativas globais de investimentos aos nossos clientes. O efeito da globalização no mercado se intensificara cada vez mais.

Isso tudo mostra que, apesar das plataformas de investimentos já serem parte do dia-a-dia de muitos brasileiros, ainda temos muito o que crescer com essas tendências. Isso vai se intensificar muito. Em 2025, considerando todas essas tendências, é natural que tenhamos um mercado muito mais competitivo, produtos de mais qualidade, investidores mais informados e preparados para administrar seus investimentos, naturalmente mais concorrentes e pessoas mais interessadas nas suas finanças. Com o mercado mais maduro e a tecnologia crescendo cada vez mais, pelo menos no que depender da Guide, vejo plataformas digitais com ainda mais serviços financeiros.

S: Temos visto diversas transações no setor atualmente, incluindo captações, aquisições, troca de equipes... Na sua opinião, por que o mercado está tão aquecido e dinâmico justo em um período de crise? 

FC: Essa crise, diferente das anteriores, não teve origem no setor financeiro. Essa é uma crise sanitária da qual o mercado financeiro não é responsável e pode ajudar e fazer a diferença para superarmos o mais rápido possível. Por exemplo, com financiamentos, investimentos em empresas, renegociação de dívidas, atividade de mercado de capitais e outros vamos ajudar os países a melhorarem financeiramente. Ou seja, essa crise não afetou de maneira estrutural a tendência que já estava em curso, que é uma evolução substancial do mercado de investimentos brasileiro. Essa movimentação hoje é parte das tendências que mencionamos. O dinheiro ainda está nas mãos dos grandes bancos e todos estão tentando se posicionar numa nova megatendência, que está no início e quem já percebeu está se organizando para sair na frente com isso. ­­

S: Como você enxerga essa entrada massiva de investidores pessoa física na bolsa?

FC: Com certeza é tendência muito positiva. Está claro que as pessoas já identificaram a oportunidade e estão preocupadas com o retorno de seus investimentos. Vão ter que aprender a diversificar e tomar mais risco pra um retorno maior, visto a queda da taxa de juros. O importante é não entrar no mercado com cabeça de especulação. Tem que buscar acesso à informação, e, ao entrar na bolsa, é necessário pensar no longo prazo. Ou seja, para quem está começando, é necessário apenas entender como é a melhor forma de investir nesse mercado e que existem perfis diferentes.

S: Com tantas opções, como um investidor escolhe uma corretora? E como avaliar se a nossa corretora atual é a melhor para o nosso perfil?  

FC: São alguns passos básicos: saber seus objetivos, como quer ser tratado, o preço que quer pagar (com consciência de que muitas vezes o barato sai caro) e, com certeza, se a instituição é certificada. Acredito que seguindo estes pontos, o investidor encontrará a corretora que mais lhe agrada, assim como avaliar se a que já investe está fazendo sentido.

Se pergunte sobre os conteúdos que tem acesso, se são de qualidade e veja também os rankings entre corretoras. Outro ponto é a assessoria. Muitas pessoas querem proximidade e um assessor que invista por elas ou oriente de perto. Hoje já estamos em mais de 40 cidades brasileiras, sendo elas as principais capitais, para suprir essa necessidade do público que prefere ter contato presencial com o seu assessor. Já dar uma boa experiência via plataformas digitais é o básico que uma corretora pode oferecer.

Tem que analisar a tecnologias, avaliar as reclamações, a postura da corretora nas respostas, analisar a transparência na comunicação dos custos e se são condizentes com o serviço prestado. Também é importante pesquisar os produtos. A corretora tem diversos produtos, mas são de qualidade? Não adianta ter uma prateleira cheia, se não vale o que está ali. Este sempre foi um pilar estratégico da Guide, desde a sua criação: curadoria de produtos.

Para um produto entrar na nossa plataforma é feita uma análise regulatória, aprovação de comitê, análise quantitativa e qualitativa e muito mais. Faça uma auto análise das suas necessidade e o que as empresas oferecem. Busque. As informações estão disponíveis, então precisamos entender o que faz sentido para nós. O bom e ruim é subjetivo para cada um.

Confira também nosso report sobre Audiência Digital: Investimentos com a análise de mais de 2,2 milhões de usuários das principais redes sociais do momento para avaliar seu sentimento com relação às maiores corretoras de valores, casas de research e plataformas do mercado financeiro no país.